quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Mercados e negócios

Margens de computação da Anthropic pioram apesar do salto na receita

A atualização do formulário S-1 da Anthropic mostra que os custos de computação consumiram 58% da receita no último trimestre, contra 48% no trimestre anterior, mesmo com a receita subindo de US$ 11,5 bilhões para US$ 17 bilhões.

Margens de computação da Anthropic pioram apesar do salto na receita
Foto: Anthropic S-1 filing

A Anthropic se aproxima de uma oferta pública inicial, e um documento apresentado na segunda-feira que atualiza seu formulário S-1 dá aos observadores externos a visão mais clara até agora de quanto da receita crescente do laboratório de inteligência artificial (IA) está sendo consumido pela computação. A atualização estende as divulgações do documento anterior, que cobriam apenas até 30 de junho, até 30 de setembro, e esse trimestre adicional mostra as margens de computação piorando justamente quando um possível investidor da oferta pública esperaria vê-las melhorar. A receita chegou a US$ 17 bilhões, contra US$ 11,5 bilhões no trimestre anterior, o que indica crescimento sustentado, mas a perda operacional da Anthropic também aumentou, impulsionada em boa parte pela alta dos custos de computação. Somente a computação consumiu 58% da receita no novo trimestre, contra 48% no trimestre anterior; um gráfico do documento que acompanha a receita gerada por dólar gasto em computação mostra esse múltiplo atingindo um pico de pouco mais de 2x no último trimestre antes de recuar para 1,72x.

O documento atribui boa parte dessa pressão à corrida da Anthropic para acompanhar a demanda: sua conta de computação chegou a US$ 10 bilhões no trimestre, dos quais US$ 5,0 bilhões vieram de computação comprada sob compromissos de curto prazo, que custam significativamente mais do que os contratos plurianuais que a empresa prefere. Alguns desses acordos já são públicos: a Anthropic vem pagando US$ 1,25 bilhão por mês à SpaceX por computação, além de contratos de vários bilhões de dólares com a Nscale, a Akamai e a Volta, todas fornecedoras do tipo “neocloud” — menores e mais flexíveis do que as grandes hyperscalers — que cobram tarifas mais altas. O documento afirma que os custos de computação e infraestrutura vão continuar subindo em termos absolutos e seguir como a maior despesa operacional da empresa no futuro previsível, mesmo com a entrada em vigor de mais computação contratada em acordos plurianuais.

A Anthropic também tenta construir sua própria base de computação por meio de um projeto chamado “Anthropic Direct”, mas o documento sugere que esse esforço não consegue crescer rápido o suficiente para acompanhar o aumento atual da demanda, o que deixa os provedores neocloud como a melhor opção da empresa no curto prazo. Vários indícios sugerem que a queda nas margens é passageira, não estrutural, e, com a receita crescendo quase 50% por trimestre, os investidores até agora demonstraram pouca preocupação com os altos custos de computação.

Por que importa

A divulgação reforça o quanto os grandes laboratórios de IA ainda estão expostos a oscilações na oferta e no preço da computação, uma dependência que pode se tornar cara se a expansão mais ampla dos data centers desacelerar por nervosismo nos mercados de títulos ou oposição local.