Mercados e negócios
Anthropic lança ferramentas para medir o gasto das empresas com IA
A Anthropic, já lucrativa e com retenção líquida de receita de 900%, lançou ferramentas de relatórios corporativos para mostrar aos clientes o que estão obtendo com seus gastos em IA.
Os números financeiros que a Anthropic apresentou a investidores esta semana mostram o quanto o Claude Code se tornou um sucesso comercial: a empresa registrou lucro operacional no segundo trimestre, e retenção líquida de receita de 900%, ou seja, os mesmos clientes que pagavam no terceiro trimestre de 2025 agora gastam nove vezes mais um ano depois.
Na quarta-feira, a Anthropic usou esse impulso entre clientes corporativos como ocasião para lançar um novo conjunto de ferramentas de relatórios, construídas sobre análises internas e pesquisas com funcionários, que permitem aos gestores ver o que uma equipe produziu em um determinado período, quanto isso custou e onde os fluxos de trabalho travaram. Os relatórios também trazem recomendações para melhorar os resultados, e a Anthropic afirma que, por padrão, esses dados não serão usados para treinar modelos. A empresa também está lançando orçamentos de grupo compartilhados para que as equipes administrem juntas seus gastos com tokens — uma resposta direta à maior queixa dos grandes clientes: provar o retorno sobre o que estão gastando. As empresas têm procurado exatamente esse tipo de visibilidade: o gasto de startups apoiadas por capital de risco impulsiona a maior parte do uso atual de tokens de IA, enquanto a maioria das empresas da Fortune 500 relata ganhos ainda limitados ao adotar IA.
Dados independentes reforçam o impulso corporativo que a Anthropic está buscando. A Jellyfish, que vende ferramentas para equipes de software, publicou um relatório na terça-feira com base em 276.000 de seus clientes e no uso que fazem de ferramentas de programação agêntica: o Claude Code e outras ferramentas baseadas em modelos da Anthropic continuam sendo as mais usadas na pesquisa, aparecendo agora em cerca de um terço de todas as mudanças de código enviadas por desenvolvedores para revisão, e os gastos com elas cresceram 10 vezes desde o início do ano, chegando a cerca de 2% do custo total de engenharia. “Mesmo que você diga que 2% ainda é pouco, esse crescimento de 10 vezes é um crescimento que a maioria dos diretores financeiros não previu”, disse à TechCrunch Nicholas Arcolano, cientista-chefe da Jellyfish.
Essa liderança se manteve mesmo quando o modelo Astra, da OpenAI, lançado neste verão do hemisfério norte, parecia uma ameaça potencial; Nikolas Albarran, líder de produtos de IA na Jellyfish, disse que as ferramentas de programação da Anthropic construíram uma vantagem de empresa já estabelecida, graças a um trabalho profundo de integração corporativa que torna a troca de fornecedor custosa, mesmo quando os modelos concorrentes são comparáveis. O novo conjunto de relatórios da Anthropic funciona como uma versão mais leve desse mesmo suporte prático — as equipes de engenharia alocadas em campo que os laboratórios de IA usam para colocar consultores dentro das organizações dos clientes — com o objetivo de evitar que clientes já dependentes se afastem.
Por que importa
Para a Anthropic, medir o retorno sobre o investimento não é apenas um favor ao cliente: é uma ferramenta de retenção. Quanto mais difícil for para uma empresa mostrar que seu gasto em IA vale a pena sem a própria análise da Anthropic, mais difícil se torna sair.