Apps e consumo
Hot Girl Hotline cria linha de aconselhamento amoroso com IA
As irmãs Baila e Sumi Mudgil lançaram o Hot Girl Hotline, um chatbot de IA que dá a mulheres jovens conselhos sobre relacionamentos, com garantias de segurança e planos de cobrar uma assinatura mensal de US$ 9,99.
Duas irmãs, Baila Mudgil e Sumrin “Sumi” Mudgil, estão lançando o Hot Girl Hotline, uma startup que leva a IA ao tipo de conselho amoroso que mulheres jovens historicamente buscaram em colunistas de aconselhamento, cartas de revista ou conversas com amigas. A equipe argumenta que as pessoas já recorrem a chatbots de uso geral, como o ChatGPT, para esse tipo de conselho, e que essa atividade deveria ser tratada com mais cuidado — apontando uma onda de processos contra o ChatGPT por supostas táticas manipuladoras de conversa que, segundo os autores das ações, contribuíram para efeitos negativos na saúde mental, incluindo, em alguns casos, suicídio.
“Não estamos tentando ser uma companheira de IA”, disse Baila Mudgil, cofundadora que antes atuou como consultora de redes sociais. Ela contrastou o Hot Girl Hotline com produtos de companhia de IA, que, segundo ela, são feitos para resolver solidão, escapismo e tédio de formas que podem alimentar forte dependência emocional. Em vez disso, a abordagem da startup é oferecer conselhos baseados em ciência comportamental, em um estilo de conversa inspirado em uma amiga ou irmã mais velha de confiança, com a IA frequentemente fazendo perguntas socráticas para ajudar a usuária a chegar à própria resposta, em vez de simplesmente dar instruções. O aplicativo também personaliza os conselhos de acordo com os valores, objetivos, identidade e gostos declarados de cada usuária, e sabe quando encerrar uma conversa em vez de continuar fazendo perguntas de acompanhamento.
Baila disse que o produto “não é aconselhamento clínico” e não pretende substituir a conversa com um ser humano, acrescentando que a empresa incluiu salvaguardas porque “levamos a segurança muito a sério”. Se uma conversa levantar sinais de alerta, a usuária é encaminhada a recursos como a linha de crise 988. A cofundadora Sumi Mudgil, que estudou ciência da computação em Stanford, disse que a startup quer que as usuárias entendam não apenas o que fazer a seguir, mas por quê, e que a ferramenta é pensada para levar as usuárias a agir no mundo real em vez de ficar ruminando o problema. As irmãs dizem que esse modelo atrai usuárias que não querem publicar algo publicamente nem correr o risco do viés de uma amiga ao falar sobre o parceiro.
Por baixo do capô, o Hot Girl Hotline usa uma combinação de modelos de IA, criptografa os dados das usuárias em trânsito e em repouso, e afirma que não vende nem treina modelos com esses dados; quando recorre a um modelo de terceiros, aplica uma política de retenção zero de dados. A startup, sediada em Nova York, é autofinanciada e planeja monetizar por meio de uma assinatura de US$ 9,99 por mês, que centenas de suas usuárias mais ativas já pagam, com a possibilidade de incluir anúncios mais adiante. A empresa planeja expandir além dos conselhos amorosos para áreas como beleza e estilo de vida, e vai participar do Startup Battlefield 200 na TechCrunch Disrupt 2026, que ocorre de 13 a 15 de outubro em San Francisco; o aplicativo está disponível para iOS e na web.
Por que importa
Com mais pessoas recorrendo a chatbots de uso geral para conselhos pessoais sensíveis, um produto mais restrito e focado em segurança para um público específico pode se tornar uma alternativa relevante — embora ainda precise provar que consegue manter suas usuárias mais seguras do que as ferramentas de IA em relação às quais se posiciona.