segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Startups e investimentos

Benchmark reconhece que a IA está minando o pacto contra financiar rivais

Sócios da Benchmark disseram que o boom da IA está corroendo a regra não escrita do capital de risco contra financiar startups rivais, citando a disputa entre Factory e Cognition como evidência.

Two business professionals shaking hands across a meeting table with laptops displaying financial charts
Foto: Pexels / AlphaTradeZone

Durante décadas, uma regra não escrita governou o capital de risco: uma gestora não investe em duas empresas que competem diretamente entre si. Em declarações no TechCrunch Disrupt no início desta semana, sócios da Benchmark reconheceram que o boom da IA está pressionando essa regra, descrevendo os conflitos resultantes como uma questão de necessidade, e não de preferência, à medida que as empresas do portfólio avançam cada vez mais sobre o território umas das outras.

A regra já vem se desgastando há tempos: a OpenAI e a Anthropic, os dois grandes laboratórios de IA, hoje compartilham dezenas dos mesmos investidores. No final de setembro, a Factory — uma startup que constrói um agente de IA para escrever software — demitiu seu conselheiro e observador no conselho, Chris Degnan, por aquilo que chamou de “conduta pouco ética envolvendo a Cognition”, sua rival direta e criadora do agente de programação Devin. O CEO da Factory alegou que Degnan havia discutido um emprego na Cognition enquanto tinha acesso a discussões no nível do conselho da Factory; Degnan disse que já havia renunciado e negou ter compartilhado qualquer informação confidencial, antes de anunciar que entraria na Cognition como diretor de receita. O investidor Vinod Khosla se posicionou publicamente a favor de Degnan, criticando o CEO da Factory e descrevendo a empresa como uma concorrente de segundo escalão em dificuldades — vale notar que a Khosla Ventures investe tanto na Factory quanto na Cognition.

A Benchmark, uma gestora cuja reputação se baseia em parcerias de 10 a 15 anos com fundadores no estágio inicial, disse que a velha regra não pode mais ser garantida. O sócio Eric Vishria disse que a Benchmark permanece comprometida com cada fundador e mantém em confidencialidade o que aprende, embora tenha minimizado o quanto uma gestora poderia realmente repassar, já que a Benchmark não conta com especialistas em produto ou tecnologia. Ele disse que a Benchmark, até agora, evitou um conflito tão direto quanto a disputa entre Factory e Cognition, e que a exclusividade continua importante no estágio inicial que a gestora prefere, embora tenha reconhecido que as circunstâncias estão mudando.

O sócio Chetan Puttagunta disse que a IA está acelerando o problema: à medida que o custo de criar software se aproxima de zero, fundadores ambiciosos veem uma área de atuação maior para ocupar e cada vez mais acabam esbarrando no território uns dos outros. O sócio Peter Fenton chamou a questão de “kryptonita” e o maior desafio da gestora, descrevendo um espectro que vai do cofundador, que nunca apoiaria um concorrente direto, até o investidor de mercado público, que pode ter diversos rivais porque está apenas alocando capital, sem moldar nenhuma empresa específica. A Benchmark está mais próxima da ponta do cofundador, disse ele, e trata a transparência — sem surpresas depois dos fatos para um fundador em um conflito — como uma regra inegociável.

Por que importa

A Benchmark não está declarando morta a regra contra financiar rivais, mas uma gestora construída sobre a lealdade aos fundadores admitir que os conflitos já são rotina sinaliza que a intensidade de capital da era da IA está remodelando até as normas mais antigas do capital de risco — e que os fundadores devem esperar mais revelações desse tipo adiante, não menos.