segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Apps e consumo

Chesky: agentes de IA precisam de um sistema operacional próprio

O CEO da Airbnb, Brian Chesky, diz que chatbots são a interface errada para viagens e que o setor não tem um sistema operacional feito para agentes de IA funcionarem.

Airbnb CEO Brian Chesky seated and smiling in front of a wood-paneled wall and houseplant.
Foto: Airbnb

A Airbnb lançou nesta semana uma busca com tecnologia de IA como parte de sua atualização de outono do hemisfério norte, um passo importante para uma empresa que tem sido lenta e deliberada em relação à IA. Em entrevista, o CEO Brian Chesky disse que não mudou de opinião: um chatbot continua sendo a interface errada para a descoberta de viagens, pois oferece poucas opções por vez e exige várias interações até chegar a um resultado. Ele também não vê a nova busca como a interface final da Airbnb, dizendo que provavelmente vai surgir algo entre um chatbot e o que a empresa acabou de lançar. As pessoas gostam de explorar e planejar viagens, disse ele; estudos sobre viagens mostram que as pessoas sentem mais prazer planejando e antecipando uma viagem do que viajando de fato, então a Airbnb não quer eliminar essa experiência de exploração e devaneio.

Chesky também considera que chatbots não são adequados para decisões em grupo, já que são feitos para uma pessoa por vez. Nos próximos três a seis meses, segundo ele, a tarefa da Airbnb é explorar interfaces de IA “multiplayer” que permitam que várias pessoas — uma família planejando uma viagem junta, por exemplo — usem a mesma IA ao mesmo tempo. Ele espera uma combinação de interfaces determinísticas, pré-definidas, e interfaces “generativas” que uma IA cria na hora, do tipo que startups como a Monogram e a Wabi estão testando.

Sobre agentes de IA que agem em nome de uma pessoa, como o Instinct e o Muse, Chesky disse que a Airbnb quer tornar seu próprio aplicativo mais amigável a agentes e criar controles de interface mais robustos, já que ele não acredita que os apps vão simplesmente se tornar camadas de dados de uma interface universal única. Ele também está planejando a interação entre agentes, imaginando que a aba de exploração da Airbnb, o atendimento ao cliente e outras funções eventualmente se tornem agentes próprios sob um agente “macro” da Airbnb, interoperável com outros agentes por meio do padrão MCP.

O argumento central de Chesky é que o setor não tem um verdadeiro sistema operacional construído para IA — um em que os agentes interajam no núcleo do software, da mesma forma que os apps interagem hoje por meio de um sistema operacional. Ele citou a efêmera loja de aplicativos do ChatGPT, do início do ano passado, como um exemplo de alerta, lembrando que disse a Sam Altman, da OpenAI, que o projeto precisava de seu próprio kit de desenvolvimento e sistema operacional para funcionar. “O problema com esse modelo [de tentar se tornar o agente principal] é que ninguém está desenvolvendo um kit de desenvolvimento de software com um sistema operacional completo”, disse ele. “E, claro, não funcionou muito bem.” A voz também vai ganhar um papel maior na Airbnb, com agentes de voz para busca e atendimento ao cliente previstos para este outono do hemisfério norte.

Por que importa

A forma como Chesky encara o problema sugere que a próxima batalha competitiva na IA de consumo não será vencida pelo chatbot mais popular, mas por quem construir a camada de sistema operacional que permite que agentes de muitas empresas trabalhem juntos.