domingo, 25 de outubro de 2026

Chips e hardware

Palma 2 Pro, da Boox, troca a rolagem no celular pela leitura em E Ink

Um teste de dois meses da TechCrunch com o Boox Palma 2 Pro, leitor digital Android de US$ 400 e 175 gramas, encontrou um aparelho que substituiu o hábito de ler no iPhone.

Palma 2 Pro, da Boox, troca a rolagem no celular pela leitura em E Ink
Foto: Boox /

O Palma 2 Pro, da Boox, vendido por US$ 400, reúne uma tela de tinta eletrônica do tamanho de um smartphone em um aparelho que roda o Android completo e acessa a Google Play Store, ficando a meio caminho entre um Kindle e um tablet compacto. Ao longo de dois meses de testes, um avaliador da TechCrunch constatou que o aparelho de 175 gramas substituiu o iPhone como superfície padrão de leitura, em boa parte por seu tamanho: fino o suficiente para ser segurado deitado, diferente dos leitores digitais tradicionais, mais quadrados, que costumam exigir um acessório de apoio, e pequeno o suficiente para caber em bolsas pequenas demais para um Kindle de tamanho padrão — útil da sala de espera de um consultório médico ao portão de embarque de um aeroporto.

A tela com luz frontal alterna entre tons quentes e frios e pode ser regulada a um nível bem baixo para leitura noturna sem incomodar alguém dormindo ao lado, um brilho mínimo que a maioria dos smartphones não alcança. Como o Palma 2 Pro não está limitado a um único aplicativo de leitura, é possível instalar Kindle, Kobo, Libby e aplicativos separados para audiolivros, podcasts, e-mail e serviços de leitura posterior, o que permitiu ao avaliador abandonar o leitor nativo e ouvir audiolivros no mesmo aparelho usado para ler texto. Essa abertura, somada a uma câmera traseira para digitalizar documentos, um alto-falante embutido, conectividade celular via SIM híbrido e compatibilidade com caneta digital para anotações e marcações em PDF, transforma o aparelho em algo próximo de uma ferramenta múltipla para leitura, pesquisa e produtividade leve — ainda que nem todo aplicativo Android rode de forma fluida em uma tela de tinta eletrônica, e o conteúdo em cores pareça visivelmente menos vivo do que em um celular.

As contrapartidas apareceram no uso diário. A bateria durou cerca de 5 a 7 dias, bem menos que as várias semanas típicas de um Kindle, embora desligar o Wi-Fi estenda essa duração. A tela também apresentou um efeito fantasma perceptível — texto da página anterior que permanece visível —, removível com um toque em um botão de atualização dedicado, mas que pode se tornar incômodo se repetido com frequência. A unidade do avaliador também chegou sem a caneta digital opcional, deixando anotações e marcações em PDF sem teste. A Boox também prepara um Palma 3 sem a versão Pro, mais barato, em preto e branco e por US$ 340, que substituirá o Palma 2 padrão, deixando o Pro como a opção mais cara e com capacidade de cor da linha. O veredito do avaliador: uma boa escolha para quem busca a flexibilidade de um celular em um formato menor, mas não um substituto para fãs de Kindle que priorizam semanas de bateria em vez de acesso a aplicativos.

Por que importa

A aposta do Palma 2 Pro — um ecossistema completo de aplicativos Android embutido em hardware de tinta eletrônica — sugere que os leitores digitais vão competir menos pela velocidade de virar páginas e mais pela capacidade de absorver os aplicativos que as pessoas já usam. A expectativa é que outros fabricantes de aparelhos sigam a mesma fórmula à medida que cresce a demanda por alternativas mais simples e menos distrativas ao celular.